COTIDIANO | 12 de julho de 2017

Usos sexuais de robôs estão preocupando cientistas

É difícil descobrir quantas pessoas possuem esse tipo de equipamento, pois as fabricantes não revelam dados sobre as vendas dos produtos

A importação de robôs sexuais que se parecem com crianças deveria ser proibida?

Noel Sharkey, professor emérito de robótica e inteligência ida Universidade de Sheffield (Reino Unido), acredita que essa é uma pergunta que a sociedade tem de responder – e logo. Ele acaba de publicar um relatório por sua Fundação por Robótica Responsável (FRR, na sigla em inglês), no qual compartilha suas preocupações sobre os robôs criados para fins sexuais – e diz que a sociedade deveria levar em conta o impacto de todos os tipos de robôs.

Sharkey afirma que não há muitas empresas que fabricam esses bonecos. Todavia, ele teme que o recente avanço da robótica pode mudar esse panorama.

A ideia do estudo, intitulado Nosso futuro sexual com os robôs, era justamente a de chamar a atenção para uma questão que, de acordo com o especialista, não foi discutida suficientemente até agora.

Sharkey diz que é difícil descobrir quantas pessoas possuem esse tipo de equipamento, pois as fabricantes não revelam dados sobre as vendas dos produtos.

"Precisamos de legisladores em investiguem o tema e que a população decida se essas relações são aceitáveis e permitidas. Temos que pensar, como sociedade, o que iremos fazer sobre isso. Eu não tenho respostas, apenas formulo as perguntas", diz o especialista.

Muito mais que bonecas

Entre as empresas que fabricam robôs sexuais estão a Android Love Doll, a Sex Bot e a True Companion. A maioria delas já havia trabalhado, antes, na produção de bonecas eróticas bastante realistas, feitas de silicone. Agora, estão planejando – ou já começaram a – produzir bonecas capazes de se mover e falar.

A mais avançada dessas empresas é a Abyss Creation, de San Diego, nos Estados Unidos, que fabrica uma boneca robô chamada Real Doll. Também de silicone, ela é bastante realista e tem tamanho natural.

No fim do ano, a empresa vai lançar a Harmony, um exemplar com inteligência artificial. Ela terá a função de mexer a cabeça e os olhos, e poderá até falar por meio de um aplicativo conectado a um tablet.

A empresa já lançou o aplicativo, que permite aos usuários programarem voz e o "astral" da boneca. Mas como os robôs poderiam ser usados? O relatório de Sharkey considera algumas opções:

"robôs prostitutas" que poderão trabalhar em bordéis
companhia para pessoas solitárias ou idosos
como um novo modelo de "cura sexual"
terapia sexual para estupradores e pedófilos

Para o professor Sharkey, a última opção seria a mais problemática. Atualmente existem bonecas sexuais que lembram crianças. A Justiça do Canadá, por exemplo, está decidindo se possuir uma delas pode ser ilegal.

O canadense Kenneth Harrison foi acusado de pornografia infantil depois que uma boneca que ele havia comprado foi interceptada no aeroporto. Ele adquiriu o brinquedo da empresa japonesa Ilamada Harumi Designs, que está no radar das autoridades canadenses.

Harrison se declarou inocente e o julgamento está em andamento. Em alguns países asiáticos, já existem bordéis com bonecas desse tipo. Também há relatos sobre um fabricante desses brinquedos em Barcelona.

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